Diálogo entre os fornecedores e as montadoras tornou-se mais ágil em qualquer lugar do mundo... 

Para atender um mercado que em 2013 estima produzir 95 mil unidades de agromáquinas e 3,79 milhões de veículos, segundo a Anfavea, é necessária uma estrutura logística que garanta um gerenciamento eficaz dos processos de abastecimentos dos setores. Diante deste cenário, tiveram início via Anfavea, em 1986, os estudos de EDI (Intercâmbio Eletrônico de Dados) para o segmento automotivo e de agromáquinas e, a partir deste momento, estabeleceu-se a RND (Rede Nacional de Dados) - padrão de documentos brasileiro que permite a comunicação entre os parceiros da cadeia automotiva por meio de troca eletrônica de informações. 

Com o avanço do processo de globalização e a entrada do conceito de carros mundiais no País, modelos internacionais de EDI como X12 e Edifact, padrões uniformes para troca eletrônica de dados, começaram a ser frequentemente utilizados em território nacional, exigindo cada vez mais inovação nos processos logísticos. Assim, houve um significativo impacto nos resultados operacionais, com redução nos custos de estoque e agilidade no transporte de suprimentos, tornando fornecedores até então nacionais em mundiais. Neste contexto, o diálogo entre os fornecedores de peças, matéria-prima e as montadoras, agora em qualquer parte do mundo, tornou mais ágil a transmissão do processamento de pedidos e notificação de embarques. Um processo que, antes da implantação de ferramentas eletrônicas, corria o risco de travar a cadeira produtiva e gerar prejuízos econômicos de escala, agora, mundial. 

Peça chave na logística 

Entre os diversos fatores que compõem os sistemas logísticos dos setores automobilísticos e de agromáquinas, a tecnologia de informação e comunicação, representado pelo EDI (Eletronic Data Interchange), tem atuado como protagonista que flexibiliza as operações de transporte, gestão de estoque e processamento de pedidos entre fornecedores e montadoras, por meio de formatos estruturados processados por um determinado software. 

Ao intermediar esses processos e, com o avanço da tecnologia e a crescente demanda dos setores (o de agromáquinas espera ampliar de 4% a 5% a produção este ano. O automotivo, até 2017, estima que o País terá condições de produzir 6 milhões de unidade por ano), as empresas buscam se aprimorar para tornarem-se mais competitivas e atenderem o aquecido mercado. 

Quando o EDI deu os primeiros passos, empresas especializadas surgiram e buscaram desenvolver tecnologias que, baseadas no EDI via VAN (Value Added Network), atuam como intermediário entre os parceiros de negócios e compartilham informações. Essas tecnologias facilitam a comunicação eletrônica que possibilita a troca de informações e documentos, de acordo com as necessidades especificas de cada empresa. Mesmo tratando-se de companhias que fornecem para os mesmos setores, automotivo e de agromáquinas, a gestão das atividades das montadoras e seu fluxo de abastecimento varia pela estrutura organizacional de cada uma, além de demandar peças e matérias primas dos mais diversos setores para projetar um veículo ou máquina. Contexto este que se denomina regra-de-negócios dos parceiros envolvidos. 

EDI e os resultados no mercado 

A introdução de ferramentas no processo logísticos das empresas representa redução nos níveis de estoque, permitindo a reposição contínua dos materiais pelas montadoras. Isso cria um diálogo tecnológico em que montadoras são beneficiadas pelo desempenho ágil e eficiente das empresas que fornecem os produtos para fabricação dos automóveis e maquinários; do outro lado, os fornecedores se sentem capazes de abastecer a maior quantidade de empresas sem nenhum risco de comprometer sua demanda, sendo muito mais assertivos no envio de materiais. 

Ao encontro do anseio das indústrias automotivas, empresas especializadas em EDI e processos logísticos desenvolveram ao longo dos anos ferramentas que potencializaram o fluxo logístico e recepção de documentos fiscais, resultando na melhor atuação das operações com impactos em diversos aspectos logísticos. 

Com elas, as variações de erros foram nitidamente reduzidas e os processos ganharam uma robustez e agilidade sem igual, com resultados nas áreas de transporte, armazenagem, processamento de pedidos e gestão de estoques. 

 

Werter Padilha, CEO da Sawluz Informática, é analista de sistemas com especializações em administração industrial pela Fundação Vanzolini e Fundação Getúlio Vargas.

 

Fonte: Revista Automotive Business